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sábado, outubro 31, 2009

Aniversariando

Como os costumes por onde andamos mudam! Isso porque ainda é Brasil. Morei a infância em Brasília, a adolescência no interior do Rio e depois disso vivo em SP... Em cada lugar as experiências vividas colaboram para aprendizados únicos, mas algumas diferenças nas relações sociais podem nos transformar.

Mas, vejam só: estou eu vivendo as alegrias de estar aniversariando e isso é algo que gosto muito desde que lembro dos aniversários. E ainda considero não só o dia como sendo o mais especial, pois os dias que antecedem já são dias de comemorações e os dias posteriores também – isso se deve ao fato que nasci 10 dias antes de meu irmão completar um ano e ganhamos de aniversário (aos 8 e 9 anos) dois irmãozinhos, conseguintemente: uma festa para quatro, mesmo tendo o irmão mais velho que comemora com exclusividade. Assim, estou em dias de comemorações.

Nestas alegrias de aniversariar, os amigos de outrora (para enfatizar o tempo) e dos outros lugares que morei se juntavam e preparavam a festa surpresa. Todos sabiam que teriam uma festa surpresa e mesmo assim não perdia a surpresa, pois ninguém podia prever o horário exato, o local ou dia. As festas poderiam acontecer alguns dias antes ou depois...

Neste outro “mundo” em que vivo tenho menos amigos e relações sociais íntimas bem limitadas. Assim, quando temos comemorações há um grupo bem menor de pessoas que se juntam para “festejar e os amigos receber”. Acredito ser essa uma vida social diferente por fatores culturais específicos.

Aniversariar pras bandas de cá esteve sempre marcado pelas relações no ambiente de trabalho. Dando aulas para crianças ao longo dos anos, os infantes não perdoam que sua data mais importante seja esquecida, assim temos festas todos os meses. Claro, comemorando os aniversariantes do mês. Mas, o melhor da infância está na sinceridade dos sentimentos e a professora sempre lucra: o aniversário dela é exclusivo! Uau! Continuava tendo festa surpresa! Surpresa mesmo, pois crianças têm dificuldades em guardar segredo e quando conseguem organizar tudo – com a professora auxiliar ou com outro adulto – é fantástico!

Deixei as classes infantis e hoje tenho apenas alunos de graduação, ou seja: grandões!

Novidade das relações sociais em outras paragens: os grandes do lado de cá do Trópico acreditam que o aniversariante é que dá o bolo para todos! Como pode ser isso? O próprio aniversariante é que organiza sua festa surpresa? Ou como é que fica a expressão sincera da alegria de comemorar com o outro a sua existência?

Neste aniversariar já ganhei muitos vivas e muitos “parabéns para você”! Claro que achei o máximo e não faço questão alguma de festa, até porque os mais íntimos sabem que desprezo o desperdício de dinheiro com festas ou comilanças. Mas, não poderia deixar de expressar minha indignação quando há em qualquer ambiente social algum efusivo cantar de “parabéns” e ainda alguém grita: “onde está o bolo?”

Seria essa uma expressão das relações sociais especificas a cada cultura? Seria essa uma manifestação de pouco caso com as verdadeiras e possíveis relações sociais? Não anseio ter respostas, não espero mudar o mundo...

Ainda estou aniversariando...

Saudades...

Muita diversão em momentos tão sérios... Acredito que sou sempre privilegiada por ter amigas tão queridas e tão especiais. É bom demais encontrar afinidades com/em pessoas tão maravilhosas! Amigas... Saudades...
(São nossas fotos e a montagem da Lila num momento de ócio criativo - no meio de alguma aula)

segunda-feira, outubro 26, 2009

E a pessoa sonha...

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura...

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

Custa tanto saber o que se sente quando reparamos em nós!... Mesmo viver sabe a custar

tanto quando se dá por isso... Falai, portanto, sem repardes que existis...

(Fernando Pessoa) E o poeta já disse tudo. ...

sábado, outubro 24, 2009

Musicando

... e quando o menino era bem pequenininho foi para a musicalização... Divertia-se muito e disse que queria tocar um instrumento musical. Conheceu a flauta doce Com muitos assopros e partituras especiais as músicas divertiam os ouvidos. O tempo foi passando e os dedinhos curiosos conheceram a Flauta Contralto! Com uma pequena cortiça adaptada (para dedos tão pequenos) à flauta vieram as músicas com estilo barroco. Nova fase...
E o menino, não mais tão pequeno, disse que a música fica mais bonita em outro instrumento: O Piano! Lindo! Trabalhoso e desafiador... Às vezes amado e às vezes abandonado... O som enche a casa de vida
Mas, o menino cresceu! Um moço pede vida social. "O piano numa orquestra é convidado" E os pais entendem que é preciso o instrumento social... Instrumento social é aquele que atende à necessidade de tocar com outros; é o encontro com os pares... Nada de abandono ao piano, mas de compartilhar notas, sons, sorrisos... Que instrumento? O menino-moço está se divertindo com a Trompa!!
O detalhe: ele quer uma! Uma só dele! "Nada de ficar chegando mais cedo aos ensaios ou apresentações da Banda só para conseguir um instrumento com boa conservação... E, com certeza, mudar de banda! Quem sabe ficar tão bom para tocar na orquestra..." ... É! Não tem jeito, mesmo! O moço tem desejos... E nós, pai e mãe, estamos à procura da Trompa! Uma trompa para o moço sair musicando por aí...

sábado, outubro 17, 2009

EXPOSIÇÃO CÉREBRO - O mundo dentro da sua cabeça

Quer saber mais? Vá à exposição! Veja os detalhes no link abaixo: http://www.parquedoibirapuera.com/evento_detalhe.php?id=42 *as fotos da postagem são minhas

quinta-feira, outubro 08, 2009

sexta-feira, outubro 02, 2009

Tem um moço em casa!

Tem um moço ali, bem no quarto ao lado. Parece que é um visitante que chegou sem avisar e é preciso preparar a mesa e fazer cerimônia.

Quando menos o percebo está sentado no meu lugar preferido do sofá e fica escolhendo os canais que quer assistir. Ainda agora a pouco ele sugeriu mudar de canal, pois queria ver um filme enquanto eu pretendia ver o telejornal, já que nunca tenho tempo de assistir TV.

Tem horas que fica complicado usar o banheiro, pois quando abre o chuveiro esquece-se de fechar, principalmente quando a água é bem quentinha, que é a preferência dele. Quero olhar no espelho, que pedi ao marceneiro que instalasse numa altura proporcional a minha, mas ele passa na frente e consegue esconder minha imagem impedindo que eu termine de passar o batom.

Outro dia, cheguei a casa com um par de tênis e ele disse que poderia ficar com aquele. Imagina! Como se já não bastasse eu ter que comprar meias cor de rosa! Gosto de azul! Mas, não gosto de encontrar o que é meu em outra gaveta.

Fico pensando que até o começo do ano passado não tinha nada disso. Eu e o Amorzão continuávamos determinando todos os passeios, todos os cardápios da casa ou todos os pedidos de entrega de pizza e tínhamos que ceder apenas um à preferência do outro. Tudo fácil por vários anos.

Mas, a noite passa e vem à manhã, assim como a primavera vai embora para dar lugar ao verão e os anos trazem as marcas do tempo que passa e não conseguimos perceber.

Não faz muito tempo que eu estava sonhando com aquele ser que estava crescendo bem junto ao meu coração. Era tão juntinho que quando nos mexíamos um poderia incomodar o outro... Estava grávida! E alegria das alegrias é o desejo realizado! Desejei um menino e este chegou! E aí ele continuou crescendo aqui ao lado do coração.

Crescia em sabedoria e graça. E que graça ver aquele gorducho perdendo as dobrinhas e virando um molequinho tentando falar com todo mundo que encontrava! Que graça cantar parabéns junto com os tios, os primos e a cada ano chegando mais alguns que ele conquistava!

Vejo a foto em que ele está pela primeira vez de uniforme para ficar na escola por cinco horas seguidas. Com muito cuidado, como tudo o que precisava ser ensinado, expliquei que se precisasse deveria lembrar-se da história de Josué, que ele gostava tanto, e repetisse: “Seja forte e corajoso, não tenha medo de nada”. E àquelas horas também passaram como todas às horas seguintes. E em outras horas era preciso lembrá-lo de que precisava respirar fundo para ficar bem calmo, mas algumas vezes não conseguiu respirar e já nem queria mais ouvir isso.

Os meninos quando estão numa certa idade querem deixar de ser tratados como bebês, então, expliquei ao meu menino que não o repreenderia com “tapinhas” nas mãos e que não haveria castigos em casa. Completei dizendo que tudo o que escolhemos fazer tem conseqüências que devemos assumir. Tive a certeza de que um ser pensante estava em minha frente, pois respondeu que com tapinhas não é preciso consertar o que estragou. Acreditei que ensinando a pensar seria mais fácil. Nem sempre é mais fácil no primeiro momento, mas é justo. A escolha foi educar com diálogo.

Diálogo é conversar! Então, o menino conversa! Conversa muito com todos e sobre todos os assuntos com desenvoltura. A necessidade de conversar faz prestar atenção em tudo e a fazer relações maravilhosas. Orgulho de mamãe! Como apreende tudo e com que rapidez! Sempre trouxe todos os objetivos propostos na escola alcançados! Uma mãe, despida de qualquer modéstia, sabe que alguns registros destes objetivos não foram coerentes com a realidade, pois sabe que seu filho é bom e que não tem dificuldade alguma com os conteúdos escolares.

A vida de menino é um período em que tudo vai ficando pequeno. Os sapatos ficam pequenos; as meias furam no dedão porque ficaram pequenas; o umbigo aparece porque a camiseta encolheu; as canelas ficam de fora porque a calça também ficou pequena e até o mundo fica pequeno porque o parque já não é mais tão grande quanto antes. E essa mãe e todas as outras ficam apoiando todos estes crescimentos, menos o de seu menino que já consegue pegar os livros que estão na prateleira mais alta.

E todos crescem, sim, até o meu menino, pois ele disse que não quer ficar pequeno como a mãe (1,51) e prefere buscar uma solução para ficar como o pai (1,71). Ensinei a pensar e a falar, agora tenho que suportar! Mas, ele tem razão, pois viver em sociedade o obrigou a ver que os outros meninos são maiores que ele na escola, mesmo sendo mais novo que todos os outros de sua classe.

Mesmo assim, o meu menino vai crescendo! Faz escolhas e vai argumentando e seus argumentos são consistentes e conscientes. Contou-me que um professor vai ser pai e que os pensamentos deles são diferentes, pois insistiu (audácia do menino!) que ele não precisará bater no filho. Preferiu deixar de argumentar, pois ouviu que se o pai não bate é o filho que o faz (sensato!). Lembrei-o de que, quando tinha 4 anos, ficou indignado com um coleguinha que fez pirraça e bateu no rosto da mãe quando esta dava umas palmadas no filho; perguntei se faria o mesmo e ele disse que “com essa mamãe não”.

Mas, os professores não são os únicos que ficam na berlinda. Em casa acontecem diálogos difíceis também, principalmente quando é necessária uma distribuição igualitária de responsabilidades. O pai explicou que todos colaboram quando moram juntos como numa sociedade, então surgem os argumentos “quero o mesmo tanto”; “vou dormir tarde também”, entre outros. Ainda prefiro a brincadeira de sempre: “isso aqui não é uma democracia! Isso é uma família!”

Sempre argumentou quando a palavra empenhada não é cumprida. Sempre teve liberdade de expressar os pensamentos, mesmo quando eu disse que não teríamos a categoria de pré adolescente em casa. Olha a mãe aí outra vez vendo o mundo ficar pequeno para não ter que tirar os olhos daquele bebê nos braços. Que bebê? O meu menino fez 13 anos*! Não tem mais nenhuma criança aqui.

Tem um moço aqui em casa! Moço: “que já não é criança e ainda não é adulto; aquele que está na idade juvenil”.

*28/09

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